Desenho em sala "Ouvir"
Inicialmente, pretendia usar apenas a caneta esferográfica, mas não demorei a perceber que precisava de mais do que isso para expressar o sentimento contido nas notas, assim, optei por usar canetinhas de três cores: rosa, laranja e vinho. Essa foi definitivamente minha melhor escolha nessa atividade, pois agora, diversos dias depois enquanto eu vejo a imagem como inspiração para escrever esse relato, consigo me lembrar claramente da melodia.
A escolha das cores se deu pelo sentimento que a musica me remeteu. Por ser mais rápida e frenética, senti alegria nela, mas também um pouco de ansiedade, por isso o rosa e o laranja. Já o vinho foi escolhido não pela música, mas pelo instrumento. Não sei bem o porquê, mas a cor vinho acaba se associando a flauta transversal em minha mente. Por fim, os espaços de respiro serviram para mostrar o silêncio. Isso porquê vejo o silêncio como a ausência de som, e se nessa representação, os sons são os traços coloridos, então nada mais justo do que a parte branca do papel ser a personificação dessas pausas.
Por isso que alguns dos segmentos não são linhas retas, mas sim fragmentadas, já que em alguns momentos, as notas saiam rápidas, mas com intervalos determinados, como o pontilhar de um giz em um quadro negro, com notas e silêncio na mesma intensidade, mas em outras partes, havia mais som do que a falta dele, então o pontilhado se tornava um tracejado.
As pontas e curvas também têm um papel importante na representação, pois quando o som era mais fluido, vindo de um único fôlego, a linha também era feita assim, em um único risco confiante e sem pausa, mas se houvesse variações de timbre muito intensas indo do grave ao agudo a linha era mais "afiada", como um zigue-zague ou a representação de batimentos em um monitor cardíaco.
Não cheguei a refletir a atividade, mas depois dela, ao ouvir outras músicas me peguei pensando em sua representação, e notei que nenhuma música poderia ser "colocada no papel" igual a alguma outra. Isso porquê sons mais tristes provavelmente me lembrariam mais cores frias, um funk seria vermelho e uma música clássica poderia variar, mas no geral me lembra do verde e azul. Além disso, músicas que tem melodias e palavras teriam que ter uma distinção entre as duas, e eu provavelmente teria que ouvir mais de uma vez para representar.
Umas podem ter mais espaços de respiro do que outras, algumas podem ter apenas linhas limpas, outras apenas o tracejado e o zigue-zague e pode ser até que alguns casos que se formem espirais ou quadrados dependendo da canção. Pensar sobre isso é fascinante!
Em resumo, adorei realizar essa atividade. Eu tenho uma grande dificuldade em me desvencilhar do figurativo para conseguir de fato representar algo abstrato, e durante esse desenho, pela primeira vez sinto que consegui me desprender um pouco. Depois dessa experiência, também percebi a diferença que um material pode fazer no seu desenho, pois não teria conseguido ficar tão imersa nela se tivesse continuado com a caneta preta ao invés das canetinhas coloridas.
Isso inclusive me influenciou a refazer todos os desenhos já propostos em sala, mas dessa vez com esse novo material, mas agora focando apenas nas linhas. Com elas, nem sequer há a possibilidade de esfumar bem ou regular a força para controlar a intensidade da cor do material, vetando qualquer possibilidade do meu cérebro figurativo a tentar trazer uma maior profundidade, e assim, tive que me esforçar em utilizar somente linhas e formas, e o resultado conseguiu ser bem satisfatório, como mostra a imagem abaixo.
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