Exposições CCBB
Como estava viajando no dia em que a sala visitou o CCBB e não tive a oportunidade de acompanhá-los na ocasião, visitei o lugar por conta própria junto com algumas amigas no dia 09 de abril.
Eu não sou de BH, e também nunca tinha visitado o lugar antes, e mais uma vez fiquei impressionada com a arquitetura antiga preservada dessa cidade tão linda.
Pedimos a opinião dos colegas que já tinham feito a visita antes para saber a melhor ordem para ver as exposições e eles sugeriram que fôssemos primeiro na de Marlene Barros e depois na do Meme, e assim fizemos.
Dessa forma, começamos pela exposição de Marlene. Por mais que não seja muito extensa, a instalação é tocante e tem uma mensagem muito triste e clara.
Como mulher, infelizmente não pude deixar de me identificar com o sentimento de injustiça e revolta com a sociedade que vivemos presente na exposição. A parte que mais me tocou foi a das colagens. Nela, dezenas de rostos de mulheres tinham seus olhos e bocas trocados pelo de outras mulheres e através de textos pixados em algumas imagens pudemos descobrir alguns recortes de suas histórias. Histórias essas que contadas de forma clara, ou de palavras desconexas deixavam explícito o sofrimento delas e trazem uma sensação de uma empatia silenciosa e pesarosa, o desejo de que elas fiquem bem.
A outra parte da exposição era mais focada no trabalho com agulha e linha. A teia no teto com membros desmembrados pendurados em crochê era impressionante, mas acima de tudo perturbadora. Não consegui passar tempo o suficiente ali para extrair a mensagem sem me sentir mal, então passei para a última sala.
A sala dos casacos conseguiu ser apenas um pouco mais reconfortante a ponto de me deixar analisar tudo com mais calma e escanear os códigos com detalhamentos da história que ela quis passar.
Além de mais textos conectivos e desconexos, Marlene traz a triste realidade vivida pela grande e esmagadora parte das mulheres, através de bordados feitos nos agasalhos maltrapilhos. Se usar um pouco mais a imaginação você quase consegue ver uma mulher triste e fraca, sem forças utilizando algum desses casacos em busca de calor e proteção completamente sozinha. As vezes esse é o sentimento de ser mulher nessa sociedade machista em que vivemos.
Em termos técnicos, não pude deixar de admirar como os trabalhos são bem feitos. Assim como Marlene, cresci em um lar com mulheres talentosas com linha e agulha, seja na costura, bordado, tricô e crochê, e por isso sinto uma familiaridade com essas formas de arte.
Minha mãe ama crochê. Ela é uma artista incrível e enquanto eu observava esse lado da exposição, tentando entender qual receita ela utilizou para formar as coisas com pontos altos e baixos eu só conseguia pensar nela, em como ela adoraria ver a exposição se morasse aqui e em como com toda certeza saberia como fazer grande parte daquelas peças apenas com seu olhar aguçado para essa arte. Talvez algum dia eu também consiga evoluir no crochê assim para ver ele com seus olhos. De qualquer forma, ela com certeza se perderia do resto do grupo por passar tempo demais na parte final da exposição onde linhas foram deixadas para exercitar a curiosidade e a técnica artesanal dos visitantes.
Por outro lado, meu grupo não passou muito tempo naquela sala experimental, visto que preferimos terminar de ver as exposições e talvez voltar lá depois. Infelizmente não nos lembramos de voltar no final.
A próxima exposição é totalmente diferente da anterior. Enquanto Marlene Barros traz uma reflexão triste, a exposição dos Memes é o completo oposto e nos fez gargalhar do começo ao fim.
Já ficamos interessadas antes mesmo de chegar até a primeira sala, nos perdemos por longos minutos lendo a grande lista de colaboradores da exposição e encontrando nomes conhecidos, incluindo o de Denilson Baniwa que já serviu como inspiração e fonte de reflexão em outras matérias do curso. Esse momento inicial nos trouxe ainda mais ansiedade para o que nos aguardava mais a frente.
E logo na primeira sala já nos identificamos muito ao encontrar um meme que tem ainda mais força como uma piada interna no grupo e imediatamente chamou nossa atenção. Além disso, a explicação de termos da internet foi muito útil, ao perceber que sabíamos de todos, mas se podemos fazer uma sugestão, eles poderiam ser atualizado com os termos mais atuais, como gag, servir cunt, loba, avisa e juro.
Passamos muito tempo em uma parte da exposição que contava com uma tela onde você podia navegar por outras imagens que não foram incluídas de forma física e demos boas risadas e em seguida vimos a parte dos emojis, e fiquei gag (chocada) ao perceber que a utilização de tantos emojis de pelúcia serviram como um isolador sonoro e abafavam o som ali.
Depois de um certo tempo a mensagem mudava um pouco e coisas mais sérias foram introduzidas também. Foi onde achamos a obra de Denilson e também mensagens políticas. Como a “paródia” com a frase “make fascist afraid again” onde os apoiadores do pedófilo Donald Trump costumam escrever “Make América great again”. A substituição traz uma mensagem de forma simples, mas de arrepiar. É clara e objetiva e com certeza foi uma das minha obras favoritas.
Ainda nessa parte, algumas televisões de tubo estavam expostas, cada uma com um vídeo diferente. O que eu assisti mostrava o Brasil na época da ditadura, e nele o repórter Ernesto Varela tentava televisionar o processo que eles passavam na época das manifestações para as “Diretas Já”. Foi uma sensação estranha ver novamente esse instrumento da nossa infância, onde eu costumava assistir desenhos, mas que agora se tornou uma relíquia a ser exposta em um museu.
E por fim, chegamos a minha parte favorita que é a do “Alisa meu pelo”. Eu amo esse meme de todas as suas formas e variações, e ainda essa semana o apresentamos pela primeira vez para uma de nossas amigas que não o conhecia. Ver um alisa meu pelo daquele tamanho no meio de um museu é definitivamente algo que eu não esperava ver, mas que me arrancou boas risadas e eu fiquei feliz por poder interagir com as exposições de suas diferentes formas, seja alisando com cuidado o pelo de sua forma gigante ou pisando no pelo de sua versão tapete.
Em resumo, a visita ao museu foi uma montanha russa de emoções, com duas exposições muito diferentes entre si, mas que no final foram importantes de seu jeito.
Por fim, deixo novamente minha galeria de obras favoritas:
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