Primeiras impressões sobre o livro Lições de arquitetura

 

    O primeiro texto ao comparar o arquiteto a um alfaiate amplia nosso olhar sobre sua função real, visto que seus projetos não devem ser apenas belos ou apenas funcionais, mas sim, uma junção dos dois para que não apenas “caiba”, mas “sirva” a seu propósito. Ter isso em mente é de suma importância durante o desenvolvimento de um protótipo.

    A relação entre o público e o privado prende minha atenção no momento em que o autor diz sobre sua relação na sociedade atual, onde são vistos como opostos e quase excludentes, quando na verdade deveriam estar lado a lado.

    É perceptível, que se compararmos os apartamentos construídos recentemente com os da década de sessenta por exemplo, percebemos como eles são consideravelmente menores. Antes, os apartamentos eram amplos, bem ventilados e bem iluminados, feitos de uma forma que as pessoas conseguiam realmente viver bem ali naquele espaço, receber visitas e socializar com os vizinhos tendo um bom equilíbrio entre a vida pública e privada. Hoje em dia, os apartamentos deixam de ser um lar e se tornam apenas um lugar para dormir, com espaço o suficiente apenas para sobreviver, que atua como prisão aos reclusos, e um lugar de não identificação a aqueles mais sociáveis.

    Já no terceiro trecho do texto, o que prendeu minha atenção diz respeito a função social da arquitetura, onde o autor nos diz que tudo na arquitetura é social, visto que qualquer alteração no espaço gera uma consequência para a sociedade. A frase me leva a pensar que por isso o arquiteto pode acabar tomando decisões erradas seja de forma proposital ou não, que impactam negativamente no bem-estar das pessoas. No exemplo citado em sala sobre as moradias populares mal estruturadas para abrigar famílias grandes, o desconforto causado pelo espaço ocorreu pela falta de conhecimento do arquiteto para o público de seu projeto, mas em um cenário contrário, esse mal-estar pode ser muito bem pensado e proposital.

    Alguns lugares, mesmo que públicos, muitas das vezes são planejadas com a ideia de ter um público específico e excluir outros. Como outro exemplo citado durante uma de nossas aulas de urbanismo, onde a professora nos disse sobre alguns prédios de uma prefeitura que foram mudados de lugar para uma área de difícil acesso, sem um transporte público eficiente e repleto de estacionamentos. Assim, fica clara a intenção daqueles que decidiram mudar o prédio de lugar e entendiam perfeitamente as consequências desse ato.

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